A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná.Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e dinamizando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial através da imigração dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão. Além de ter sido fonte de muita das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários. O café brasileiro mais conhecido em todo o mundo é o tipo Santos. A maioria das pessoas acredita ser a cidade de Santos, o porto exportador de café, a origem do nome. Na realidade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também "o rei do café".
Entretanto, a cultura do café em áreas com declive acentuado e o total descuido quanto à preservação do solo geram uma erosão intensa. Por este motivo, as terras ficam rapidamente esgotadas e a cultura cafeeira migra para um outro local, o oeste da província de São Paulo, centralizando-se em Campinas e estendendo-se até Ribeirão Preto. Campinas torna-se então o grande centro produtor do país. Nessa região, as culturas estendem-se em largas superfícies uniformes, que cobrem a paisagem a perder de vista. Formam-se os famosos "mares de café". Os cafezais dessa região sofrem menos o esgotamento dos solos por sua superfície plana, e pelo mesmo motivo as comunicações e os transportes são mais fáceis nessa área de topografia regular e riqueza mais concentrada. Enquanto no Vale do Paraíba foi estabelecido um sistema complexo de estradas férreas, nessa nova região surge uma boa rede de estradas rodoviárias e ferroviárias. O café muda seu centro de escoamento, sendo toda a produção do oeste paulista enviada a São Paulo e depois exportada a partir do porto de Santos.
O desenvolvimento da produção cafeeira esteve intimamente relacionado com a quantidade de mão-de-obra disponível. Para incentivar a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da questão imigratória o projeto central de suas atividades, estabelecendo um sistema que oferecia auxílio formal à imigração européia, principalmente à italiana. Através de um programa que cuidava da propaganda em seu país de origem, os imigrantes eram trazidos com todo amparo, desde seu domicílio na Europa até a fazenda de café. Dessa maneira, a imigração ajudou na conquista de áreas ainda não exploradas, permitindo rápido desenvolvimento do Estado de São Paulo. Durante três quartos de século, concentra-se na agricultura cafeeira quase toda riqueza do país. O Brasil dominava 70% da população mundial e ditava as regras do mercado. Nessa época os fazendeiros de café se tornaram a elite social e política, formando umas das últimas aristocracias brasileiras. A opulência dos plantadores de café permitiu a construção dos grandes e bonitos casarões das fazendas e financiou a industrialização no sudeste do país. |
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